Profissional de RI tem papel estratégico dentro das companhias

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Por Paula Craveiro
Revista RI – seção IBRI Notícias
Agosto/2016

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CODIM orienta sobre melhores práticas para elaboração e divulgação de Relatório Anual

Por Paula Craveiro e Rodney Vergili

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O CODIM (Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado) divulgou, em 15 de junho de 2012, durante coletiva de imprensa realizada na sede do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), o Pronunciamento de Orientação nº 13, que aborda as melhores práticas para elaboração e divulgação de relatório anual, destacando os procedimentos para preparação do relatório, de modo a contribuir para a adoção de boas práticas de difusão de informação, prestação de contas e Governança Corporativa.

A coletiva contou com a apresentação dos relatores do Pronunciamento – Edina Biava, da ABRASCA (Associação Brasileira de Companhias Abertas) e Marco Antonio Muzilli, do IBRACON – e de Geraldo Soares, coordenador do CODIM pelo IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) e vice-presidente do Conselho de Administração do IBRI, e de Adelino Dias Pinho, presidente da diretoria da 5ª Seção Regional do IBRACON.

O objetivo do Pronunciamento de Orientação nº 13 é orientar as companhias sobre as melhores práticas de elaboração e divulgação do relatório anual, destacando que esses relatórios devem fornecer informações precisas, transparentes e relevantes sobre a companhia, seu setor de atuação, refletindo análises, fatos e comentários de desempenho passado. “Além disso, um bom relatório deve abranger estratégias, riscos e oportunidades, de modo a permitir que o investidor tenha uma ampla visão da situação passada, do momento atual e das perspectivas da companhia, que permitam a tomada de decisão sobre o investimento. É preciso enfatizar que o relatório anual é uma prestação de contas da administração para com seus acionistas e demais públicos estratégico e, portanto, deve abranger também informações complexas capazes de respaldar os investidores para a sua tomada de decisão estratégica mas sempre divulgadas de forma simples e clara para o bom entendimento de todos”, afirmou Muzilli.
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RELATÓRIO ANUAL

Segundo Marco Antonio Muzilli, o relatório anual é uma das principais fontes de informações anuais da companhia para seus acionistas e demais públicos estratégicos. “Trata-se de um instrumento de prestação de contas da administração e também uma oportunidade para comunicar as estratégias de curto, médio e longo prazo da companhia, que nortearão o horizonte a ser seguido, buscando a geração de valor e o crescimento sustentado baseado nos pilares econômicofinanceiro, social e ambiental”.

Muzilli ressaltou que um relatório anual precisa refletir o momento em que a companhia está vivendo dentro de um período anual, que deve explicitar seu desempenho e comparativo histórico. “A abordagem deve ser feita por segmentos, de modo a facilitar a leitura e compreensão, além da identificação da geração de rendimentos. Deve ser ressaltado o momento da companhia; seu desempenho durante o ano de referência; comparativo histórico de seu desempenho, influência do setor de atuação e de seus mercados; abordagem de seus negócios por segmentação, perfil corporativo e estrutura de suas operações; riscos e oportunidades; além de promover uma visão aprofundada das perspectivas de curto, médio e longo prazos para a companhia”.

Para Edina Biava, o relatório anual tem por obrigação focar a companhia de maneira geral. “Todos os stakeholders devem ficar a par do momento atual e para onde a companhia pretende seguir. Também é importante que eles conheçam quem são os gestores; a história da companhia. Embora desempenho passado não garanta o futuro, ter conhecimento do que aconteceu com a empresa nos últimos anos ajuda o acionista a ter uma melhor noção de como a companhia atua”, observou.
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PONTOS DE ATENÇÃO

Todo o conteúdo de um relatório anual deve ser tido como de grande importância. No entanto, conforme destacaram os relatores, é essencial que alguns itens sejam observados mais atentamente. “A mensagem da administração não é mera formalidade”, garantiu Edina. “Esse trecho do relatório retrata um resumo da companhia e sua estratégia para o futuro. Se houver resultado ruim, deve-se explicar os motivos, assim como se faz com os resultados positivos. Apesar de ninguém gostar de notícias ruins, é preciso detalhar mais os problemas do que os acertos para orientar os acionistas, de modo a esclarecer se há ou não risco de ocorrer novamente tal falha”, pontuou.

No tocante à estratégia e gestão, a empresa deve explicitar onde pretende chegar, quais são seus objetivos, analisando todos os segmentos da companhia. “Não é necessário apresentar informações estratégicas, uma vez que muitos dados são considerados confi denciais, secretos, mas é importante que sejam pontuados aspectos como investimentos, vantagens competitivas, governança corporativa, gestão de risco, conduta ética, formulário de referência (riscos relevantes, tanto para a companhia quanto para o setor”, sugeriu a relatora.

“Em relação ao desempenho financeiro e econômico, quanto mais se reflete a ‘essência’ da companhia e seus resultados, melhor”, garantiu Marco Antonio Muzilli. Neste tópico, é de suma importância que se discuta itens como: cenário setorial; desempenho operacional (mercados, segmentação das vendas, produtos ou áreas); desempenho econômico-financeiro (MD&A); situação financeira (fluxo de caixa, endividamento, nível de exposição e riscos); desempenho no mercado de capitais e análises das principais variações ocorridas nas contas patrimoniais e nas demonstrações financeiras.

Além do conteúdo a ser apresentado em um relatório anual, existe ainda um ponto bastante crítico, conforme comentado pelos relatores: a falta de pontualidade na apresentação do relatório anual. “O relatório é ferramenta essencial para os acionistas e demais públicos estratégicos e, normalmente, leva entre cinco e seis meses para ser elaborado. É um processo muito complexo, que envolve diversos setores da companhia. Contudo, mesmo diante de sua complexidade, não é aceitável que ele seja entregue após a assembleia geral da companhia”, asseverou Edina Biava.

“Qual a serventia de um relatório que é publicado, por exemplo, em setembro, outubro?”, questiona Muzilli. “Se entregue fora do timing correto, ele representa desperdício de tempo e dinheiro por parte da empresa, além de ser desrespeitoso para com o investidor”, garantiu.
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PROBLEMAS IDENTIFICADOS

Os relatores do Pronunciamento de Orientação nº 13, Edina Biava e Marco Antonio Muzilli; bem como Geraldo Soares (CODIM/IBRI) e Adelino Dias Pinho (IBRACON) apontam os principais pontos críticos observados em relatórios anuais:

  • Prazo – falta de pontualidade e compromisso com a entrega do relatório anual em tempo hábil para análise do acionista.
  • Divergência de análise do MD&A – falta de foco nos processos.
  • Estratégias – quando feitos, comentários apresentados pelas empresas costumam ser muito fracos e superficiais.
  • Relevância – muitas vezes, priorizam-se questões secundárias e esquecem-se de destacar itens realmente importantes.
  • Discurso inadequado – hoje em dia, é essencial que o discurso do relatório seja adequado aos seus novos públicos. Antes, esse material era lido apenas por analistas; agora, é acessado por novos acionistas, investidores, jornalistas.
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CODIM

A coordenação do Codim é dividida entre Associação dos Analistas e Profi ssionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e IBRI, e conta com a participação da ABRASCA, Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp); Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima); Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac); Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec); Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Imobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord); Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa); Conselho Federal de Contabilidade (CFC); Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC); e Ibracon. Conta ainda com a participação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como membro observador.

No site www.codim.org.br está disponível a íntegra do Pronunciamento de Orientação nº 13, do Codim, sobre melhores práticas para a elaboração e divulgação do relatório anual.

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Revista RI nº 165

Agosto/2012

Seção “IBRI Notícias”

Páginas 106 e 107

Por Paula Craveiro e Rodney Vergili

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14º Encontro Nacional: Novas Fronteiras para as Relações com Investidores

Revista RI nº 165 – agosto/2012
por Paula Craveiro, Jennifer Almeida e Rodney Vergili
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Maior encontro da área da América Latina aponta para a importância da comunicação com investidores, especialmente em momentos de crise

“Nos últimos 12 meses praticamos as Relações com Investidores na essência. O mercado global ainda requer cuidados e os RIs serão fundamentais nesse momento”, destacou Luiz Fernando Rolla, presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) na 14ª edição do Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais. O evento é promovido anualmente pela parceria entre o IBRI e a Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA).

A edição de 2012 aconteceu nos dias 02 e 03 de julho de 2012, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo (SP). Durante os dois dias, os mais de 700 profissionais de RI e áreas correlatas e 44 jornalistas participantes ficaram imersos em debates acerca das formas de comunicação com os stakeholders (públicos estratégicos); o promissor mercado de dívida brasileiro e a atuação do RI; como as empresas podem utilizar a votação on-line em assembleias, dentre outros temas. E apesar do mercado brasileiro ter suas particularidades, “não importa em que país estamos, temos as mesmas questões, sejam nas empresas small ou large cap. Guidance e liquidez são comuns para todo mundo”, avalia Jeffrey Morgan, presidente do National Investor Relations Institute (NIRI), congênere norte-americano do IBRI.

Luiz Fernando Rolla destacou na abertura do evento o trabalho da entidade na certificação do profissional de RI. “Aprovamos as diretrizes gerais e houve a organização de um grupo que é formado por seis subcomitês e pela entidade máxima, o Comitê de Certificação. Cada subcomitê tem uma função específica e todos levam seus apontamentos para aprovação do Comitê de Certificação”, explicou. As decisões referentes a cada matéria é então levada à Diretoria e Conselho.

Ao lado de Ricardo Florence, diretor-presidente do IBRI; Luiz Spínola, vice-presidente da ABRASCA; e Maria Helena Santana, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); Antonio Castro, presidente da ABRASCA, chamou atenção para o apoio da CVM a todas as entidades engajadas com a autorregulação. “Presto homenagem a Maria Helena Santana, que deixará a CVM em julho deste ano e que muito contribuiu para o desenvolvimento do mercado de capitais, inclusive em momentos difíceis”, declarou.

RIs se preparam para o Relatório Integrado

Para Maria Helena Santana, presidente da CVM, “os desdobramentos da crise global ainda não terminaram e os efeitos no fluxo de recursos e no funcionamento do mercado de capitais são muito intensos”.

Ela destacou o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro como mudanças importantes na legislação societária e na autorregulação. “Pudemos colher os frutos dos investimentos que tinham sido feitos na melhoria do nosso arcabouço regulatório e autorregulador”, acrescentou. Maria Helena reforçou durante seu discurso que se preocupar com questões de Governança Corporativa faz sentido do ponto de vista ao acesso de capital, mas também na perspectiva de preservação dos negócios e o desempenho da companhia, principalmente no longo prazo.

A presidente da CVM solicitou cuidado especial dos profissionais nas transações com partes relacionadas, tema permanente na agenda. “Há a necessidade de enfrentar uma natural desconfiança por parte do mercado em relação a possível conflito de interesses nos contratos com partes relacionadas”, aponta. Uma forma de lidar com o assunto, é estabelecer uma política própria aprovada pelo Conselho de Administração para lidar com essas transações. “Essa política tem que prever medidas de Governança”, complementou.

A dirigente comentou ainda a iniciativa do Comitê de Aquisições e Fusões (CAF), que se propõe a criar regras e princípios para alterações de controle e incorporação de controladas. “A CVM apoia essa iniciativa e decidiu oferecer incentivo regulatório para as empresas que aderirem aos princípios”, afirmou.

Outro tema que Maria Helena Santana chamou atenção foi o movimento que ocorreu na Rio+20 em favor do relatório integrado. “Seria importante que as companhias fizessem divulgação integrada e explicassem como se combinam na companhia empresa resultados financeiros, estratégia, governança e os impactos ambientais”, declarou. A executiva informou que entidades de “peso” estão endossando a iniciativa, como Organização das Nações Unidas (ONU) e International Organization of Securities Commissions (IOSCO). “Ainda não existe o padrão pronto o que nos dá oportunidade de influenciar e participar desse movimento”, finalizou.

Cemex e NYSE Euronext compartilham experiências

Maher Al-Haffar, diretor de Relações com Investidores da Cemex, destacou em sua palestra que a companhia –uma das maiores em construção civil do México – tem foco no relacionamento internacional com os investidores e está presente em 50 países.

Segundo Al-Haffar, o plano de ações de Relações com Investidores da empresa implementado a partir de 1999, quando a companhia registrou-se na Securities and Exchange Commission (SEC), focou na segmentação de investidores e o gerenciamento de contatos e a elaboração de uma história convincente e diferenciada. Além disso, mudou significativamente a qualidade do disclosure, além de apresentar a marca Cemex como um instrumento financeiro e não apenas como playerindustrial. “A demanda por transparência no mercado americano é extremamente crítica e importante”, apontou.

Maher Al-Haffar disse que a equipe de RI da Cemex está dividida em dois times: uma equipe em Monterrey, no México e outra em Nova York, nos Estados Unidos. Ao falar sobre releases financeiros, o executivo da Cemex destacou a diferença na linguagem para a mídia e o mercado financeiro. “É preciso assegurar que se evitem erros de linguagem”, ponderou.

Al-Haffar destacou, também, a importância de sanar dúvidas para evitar ser surpreendido. “Crie relacionamento com o investidor e evite que ele questione diretamente o CEO (do inglês Chief Executive Officer)”, complementou ao mencionar a importância da credibilidade para o profissional de RI.

Visão da NYSE Euronext: incentivo a pequenas e médias empresas

“O Brasil é um exemplo para os emergentes, cresceu e tornou-se o maior mercado na região”, ressaltou o vice-presidente e chefe para a América Latina, Caribe e Bermudas da NYSE Euronext, Alex Ibrahim, ao expressar visão positiva para 2012. O executivo comentou que apesar dos desafios macroglobais o mercado norte-americano registrou, em 2012, 84 IPO’s (do inglês Initial Public Offering). “Mais da metade dessas empresas que se tornaram públicas estão listadas na NYSE”, completou.

Do ponto de vista potencial de crescimento, Alex Ibrahim citou países como: Chile, Peru, Colômbia, além do Brasil. Sobre pequenas e médias empresas fez menção ao Programa da NYSE Euronext chamado Big Start Up, iniciativa disponível no mercado norte-americano para apoiar com treinamento e ajudar no crescimento das companhias de pequeno e médio porte. “A iniciativa é americana, mas pretendemos no próximo ano ir para outros mercados”, antecipou.

Para Alex Ibrahim, é vantajoso para as companhias brasileiras listarem na BM&FBovespa e na NYSE Euronext. “Não somos competidores, complementamos o trabalho um do outro”. “É decisivo para as companhias se listarem na NYSE Euronext para levantarem capital, além de conseguirem assim mais visibilidade”, frisou.

O executivo fez menção ao plano Jobs Act do presidente norte-americano, Barack Obama, que objetiva facilitar a contratação de novos funcionários por pequenas e médias empresas. Segundo ele, a NYSE Euronext torna-se alternativa viável para as pequenas empresas se capitalizarem.

Desafios e novas ferramentas de mercado

Durante o painel “Melhores Práticas em RI: novas ferramentas, técnicas e desafios”, Geraldo Soares, vice-presidente do Conselho de Administração do IBRI e superintendente de Relações com Investidores do Itaú Unibanco, indagou Silvio Guerra, diretor de RI da Localiza, o que ainda falta para expandir a utilização da assembleia onlinepelas empresas. Para Guerra, a possibilidade de se realizar a assembleia on-line é um processo de democratização, que tende a trazer aspectos preponderantes para o mercado do ponto de vista de mais participação.

Doris Wilhelm, diretora de Relações com Investidores da Forjas Taurus, observou que o perfil de Bolsa no Brasil ainda é de capital majoritário e abre-se uma porta com a possibilidade de participação dos minoritários por meio da utilização da assembleia online.

Segundo ela, é preciso mudar a cultura nas companhias, aumentar a proatividade e contratar os serviços das empresas especializadas em montagem de assembleias on-line. “O custo no Brasil ainda é alto”, adicionou Geraldo Soares.

A utilização das mídias sociais pelos Departamentos de RI das empresas foi comentada por Ross Kaufman, sócio do escritório de advocacia GreenbergTraurig, que destacou que do ponto de vista jurídico quanto mais interativa for a mídia social “mais arriscada”.

Silvio Guerra, da Localiza, disse que a companhia utiliza o LinkedIn e o Facebook para buscar o perfil de investidores, acrescentando, porém, que “140 caracteres não oferece a fundamentação do negócio para que o investidor tome a decisão de investimento”, opinou ao se referir ao Twitter.

No que diz respeito a fornecer guidance, Geraldo Soares informou que o Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado (CODIM) sugere que este seja fornecido anualmente. “A prática não é corrente, mas seguimos a orientação do Comitê”, afirmou Cristiana Pereira, diretora de Desenvolvimento de Empresas da BM&FBovespa. Ao avaliar a questão de diversificação da base de acionistas a executiva disse que cada empresa deve analisar sua base acionária e fazer um planejamento estratégico.

Cristiana Pereira fez menção ao convênio da BM&FBovespa com a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC) para a produção de relatório de análise que objetiva viabilizar o compromisso da BM&FBovespa com as companhias que listem no segmento de acesso da Bolsa: Bovespa Mais.

Em conversa com a APIMEC, surgiu a oportunidade de implementar o convênio para todas as companhias listadas e que tenham problemas na cobertura. “Sabemos que um objetivo importante para os RI’s é a liquidez e é um desafio para os profissionais conseguirem esse início de cobertura”, explicou Cristiana Pereira.

Nuno da Silva, vice-presidente do BNY Mellon, explicou estudo sobre as práticas de RI globais realizado pelo BNY Mellon. Para o executivo, as métricas brasileiras têm evoluído rapidamente especialmente por conta das novas tecnologias. O BNY Mellon realizou pesquisa sobre Tendências Globais de Relações com Investidores junto a 650 entrevistados online de 53 países. De acordo com o levantamento, os Departamentos de RI no Brasil possuem os maiores programas de todas as regiões do mundo empregando um total de 7 funcionários (quatro profissionais e três de suporte), o que representa o dobro da média mundial de 3 funcionários (2 profissionais e 1 profissional de suporte).

Em 2012, 50% das empresas brasileiras pretendem empregar mais profissionais, ante a média mundial de 28% que pretendem contratar profissionais ao longo dos próximos 12 meses). Os orçamentos na América Latina estão entre os maiores do mundo, e isso é particularmente verdadeiro para os Departamentos de RI no Brasil. O orçamento médio para o RI no Brasil é de 1 milhão de dólares; o dobro do orçamento médio para programas de RI em todo o mundo (US$ 500 mil).

De acordo com a pesquisa do BNY Mellon, os departamentos brasileiros de RI estão mais avançados quanto às informações apresentadas no site corporativo das empresas. As redes sociais estão disponíveis em 47% dos websites brasileiros de RI (em comparação aos 29% do restante do mundo) e 92% oferecem linhas para teleconferências e reprodução de teleconferência de investidores (ante 75% e 74%, respectivamente, em relação ao restante do mundo), declarou Nuno da Silva.

Sustentabilidade – Doris Wilhelm respondeu sobre o questionamento de Geraldo Soares se os investidores têm o costume de perguntar assuntos relacionados à sustentabilidade. “É um tema recorrente, mas não é um inibidor e nunca foi para a decisão de investimento”, declarou.

Mercados de renda fixa e equity no Brasil e a importância da comunicação com players

Segundo Álvaro Bandeira, sócio e economista-chefe da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, não dá para negar a importância da informação e de políticas bem estruturadas para a formação de preços, além de agregar valor às companhias. No entanto, ele acredita que o melhor produto que uma empresa pode vender é sua ação. “Por ser o produto mais valioso de uma empresa, é preciso cuidar das ações. As informações passadas ao público devem ser bem elaboradas, ter o tratamento correto. Caso contrário, podem trazer desequilíbrios”, afirma.

Outro ponto destacado por Álvaro Bandeira foi a necessidade de se educar os investidores e demais stakeholders, e oferecer educação financeira.

Marcio Guedes Pereira Junior, diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), comentou que nos últimos anos a entidade tem atuado fortemente no sentido de desenvolver o cenário de renda fixa no Brasil.

Guedes traçou, também, breve panorama do segmento de renda fixa no país, destacando o rápido crescimento do setor nos últimos anos. “As debêntures ganharam mais importância”, comentou.

Segundo ele, a oferta de debêntures praticamente dobrou nos primeiros quatro meses de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, as debêntures apresentam ainda uma parcela pequena no total de volume de renda fixa do mercado”, afirmou.

Lucas Tambellini Santos, estrategista do Itaú BBA, abordou a importância da comunicação adequada com os players do mercado, dividindo-os em cinco categorias: assetslocais, fundos de pensão, empresas, investidores estrangeiros e investidores pessoa física. Para ele, a comunicação é um pouco mais delicada quando se refere aos dois últimos grupos. “No caso dos investidores estrangeiros, é preciso propiciar informações claras e precisas, uma vez que, ao menor sinal de risco, muitos, por falta de tempo para refazer suas análises, agem de maneira impulsiva e por vezes irracionais, optando por zerar suas operações e provocando instabilidade no mercado. A comunicação tem o mesmo grau de importância quanto se trata de pessoa física, uma vez que esse segmento de investimento está em fase de crescimento no país”.

Tambellini comentou ainda a questão dos ciclos vivenciados pelas empresas. “Não há problema o fato de uma empresa estar passando por um momento ruim, seja por questão micro ou macroeconômica, quando se trata de um investimento de longo prazo. Problema seria a falta de sinalização clara a respeito desses momentos ruins”, afirmou.

Marcelo Suhara, sócio da área Capital Market da Ernst & Young Terco, destacou o número de IPOs realizados nos últimos anos. “Em 2008, foram realizadas quatro aberturas de capitais; já em 2011, esse número subiu para 11. No entanto, este ano, o número está aquém dos anos anteriores”. Ele apontou ainda alguns dos principais desafios a serem enfrentados pelo RI no mercado de IPO. “Em primeiro lugar, é preciso ‘colocar a casa em ordem’, analisar ao máximo a atual situação do mercado para, em seguida, poder transmitir mensagens claras e objetivas aos investidores”, declarou.

Reuniões APIMEC

O prof. dr. Jairo Laser Procianoy, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentou estudo quantitativo sobre a importância das Reuniões APIMEC. “As Reuniões APIMEC são importante canal de divulgação de informações corporativas, uma vez que esses encontros tendem a melhorar a comunicação entre as partes interessadas e facilitar a compreensão sobre a companhia”.

Entre os principais pontos abordados no estudo, Procianoy ressaltou o ganho efetivo gerado pelas reuniões para as empresas. “A pesquisa analisou 685 eventos realizados por 146 empresas e concluiu que as apresentações geram impacto na compra e venda de ações. Foi observado que as reuniões trazem ganho efeito no segundo dia após a reunião, apresentando elevação na compra de ações”, encerrou.

Importância da clareza na comunicação e a necessidade de melhorar o padrão de apresentações

Silvia Pereira, sócia da R2P2 Comunicação Financeira e membro da Comissão Técnica e de Formação Profissional do IBRI, apresentou os resultados de um estudo de caso com análise dos processos comunicacionais de uma empresa e sua interação com seus públicos de interesse. O objetivo do estudo, como informou, foi analisar a maneira como os profissionais da área de RI se comunicam e promover reflexão, discussão e investigação.

“Para nos comunicar, precisamos nos expressar por meio de códigos, sinais, signos, que devem ser compreendidos pelo interlocutor para que a mensagem adquira um significado e gere comunicação”, destaca. “Para que a comunicação faça sentido e gere interação, é fundamental que, além de referencial prévio por parte do receptor da mensagem e o emissor seja claro e direto no momento da comunicação”, ensinou.

Silvia afirmou que, no Brasil, pouco se fala sobre Business Communication(comunicação voltada para os negócios) e isso é uma falha, uma vez que o mercado demanda profissionais qualificados para emitir informações para os diversos públicos de relação da empresa. “O profissional de RI deve ter consciência de que nos comunicamos até mesmo sem falar. Expressões faciais, movimentos corporais, pausas durante a fala, embora sejam atos simples, não deixam de ser comunicação”, frisou.

Silvia Pereira destacou que a atuação do profissional de Relações com Investidores está diretamente ligada à atividade institucional que demanda autoridade para tomar decisões que afetam o outro. Esse conceito está fortemente relacionado à atuação do RI, que detém informações de grande valia a respeito da empresa”, explica. Ela ressaltou, contudo, que essas informações nem sempre podem ser disponibilizadas, uma vez que existem restrições quanto a informações privilegiadas. “Uma falha qualquer por parte do RI pode ser altamente prejudicial à companhia”, observou.

Apresentações também exigem atenção

Para Eduardo Cury Adas, sócio administrador da SOAP, uma das grandes falhas comunicacionais das empresas acontece no momento de se realizar uma apresentação. “Não adianta ter um grande projeto, produto ou empresa. É preciso que seu público perceba isso. A apresentação é um dos fatores de maior importância para se vender um produto ou ideia. Mas, para que ele tenha o efeito desejado, é preciso um roteiro bem elaborado, aliado a um bom apresentador”, orientou.

Hoje em dia, segundo o especialista, é comum vermos apresentações com foco inadequado e duração acima do necessário. Desde o advento do Power Point, muitas pessoas perderam a capacidade de “contar histórias” e passaram a ser meros “leitores de slides”. “É preciso entender que o Power Point, assim como eram os slides e o retroprojetor, tem a finalidade de auxiliar no andamento de uma apresentação, não servir de muleta. É essencial que o conteúdo, a história a ser contada, esteja no roteiro do que será dito e não em tela. Do contrário, não haveria necessidade de apresentação. Bastaria enviar a apresentação ao seu cliente e aguardar uma resposta”, afirmou Eduardo Adas.

Uma boa apresentação, conforme explica o especialista, deve conter uma mensagem principal; mensagens adicionais, que tenham força para comprovar a mensagem principal e sustentem sua tese. Precisa também ter um sloganou tema, que seja marcante e realize o embasamento do que se pretende mostrar; ser estruturado de maneira coerente e concisa; além de ser apresentada em uma linguagem adequada ao público a que se destina.

“Além disso, a mensagem deve ser dividida entre razão e emoção. Mais que apresentar o produto ou a empresa, deve-se apresentar os benefícios que esses podem gerar ao cliente”, concluiu.

Mercado debate validade de ferramentas de voto online

Para Alexandre Dinkelmann, vice-presidente executivo de Estratégia e Finanças da Totvs, “a adoção de uma plataforma de voto eletrônico facilita a vida dos acionistas, uma vez que permite a adesão de um número maior de participantes no processo de voto em assembleia. Essa ferramenta é uma ótima oportunidade”. O executivo comentou que o nível de adoção desse mecanismo, no Brasil, ainda é muito baixo. Contudo, o problema reside mais em questões culturais do que tecnológicas.

“Minha experiência profissional com a realização de assembleias mostrou que um dos grandes obstáculos é a antiga crença de que uma assembleia de acionistas deve ser realizada presencialmente na sede da empresa”, diz Paulo Aragão, sócio da Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados. Para ele, além da falta de cultura, existe ainda a questão da preparação da documentação para cada assembleia, ponto no qual a tecnologia pode contribuir. “A CVM precisa aprovar a validação da votação eletrônica. O assunto já está sendo analisado internamente”, lembrou.

Claudio Jacob, diretor de RI da BM&FBOVESPA, comentou a experiência da Bolsa. Ele contou que antes da abertura de capital era possível reunir quase 100% dos acionistas. Após esse processo, o capital passou a ser diluído, contando com muitos acionistas estrangeiros. “Na última assembleia, usamos uma ferramenta de voto eletrônico. Com quase 68 mil acionistas (67.885), participaram apenas 433, sendo 23 pessoas físicas, 19 institucionais locais e pessoa jurídica e 391 estrangeiros”, disse.

Ele destacou que, dos 23 pessoas físicas, nove passaram procuração para os administradores por plataforma eletrônica. De acordo com o executivo, vale a pena continuar investindo nessa ferramenta. “É uma questão de insistência e aprofundamento de cultura. Muitos não participam por não saber que podem participar”, declarou.

Na opinião do sócio da Gávea Investimentos, Marcos Pinto, o acionista não tem o hábito de ir às assembleias, não por apatia, mas por falta de incentivo econômico. “As companhias podem reverter isso ao facilitar o acesso ao conteúdo que será debatido na ocasião. Isso permitiria ao acionista avaliar antecipadamente se vale -ou não- a pena se deslocar até o local determinado. Além disso, é preciso que os custos de participação sejam reduzidos”, ressaltou.

Nesse quesito, ele comentou a tentativa da CVM em criar incentivo para as companhias adotarem plataformas de voto eletrônico e que essas reembolsassem parte do custo do acionista. Marcos Pinto concluiu afirmando que “estamos nos dirigindo para um modelo semelhante ao adotado pelos Estados Unidos, que permite ao acionista votar por correio ou eletronicamente. Contudo, para efetivamente chegarmos a esse ponto, precisamos rever urgentemente a questão da possibilidade de modificar o conteúdo de uma assembleia com pouco tempo de antecedência, algo que não é permitido lá fora, que costuma gerar desconforto e insegurança por parte dos acionistas”, ressaltou.

O papel do trabalho de Relações com Investidores para emissão de dívidas

O mercado de dívida no Brasil ainda é incipiente e necessita se desenvolver mais. O moderador do painel “O Trabalho de Relações com Investidores para a Emissão de Dívida”, André Comunale, gerente executivo de Mercado de Capitais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), antecipou que os participantes do painel mostrariam o contraponto do papel do RI para uma companhia concentrada no mercado externo, uma no doméstico e em uma empresa de capital fechado.

Bianca Nasser, Gerente de RI da Petrobras, explicou que “o profissional de Relações com Investidores deve estar alinhado com a área de captação de recursos para a empresa e não ser, apenas, um repassador de informações”, disse. No que diz respeito a roadshowsa executiva disse que a abordagem para o público de dívida é diferenciada em relação ao mercado acionário.

Luiz Fernando Rolla, Diretor de RI da Cemig e Presidente do Conselho do IBRI, destacou a importância de se alongar o prazo para o vencimento da dívida. “Precisamos de prazo de 25 a 30 anos”, complementou. O executivo também chamou atenção para  o trabalho com educação aos investidores antes do lançamento de debêntures. “Investimos de oito a dez meses antes do lançamento de debêntures para explicar para o investidor como seria a operação. A linguagem é diferenciada de acordo com o perfil do investidor”, informou.

Rolla ressaltou o importante papel do RI e a interação do profissional com as agências de rating. Segundo ele, existem investidores que se preocupam com a avaliação das agências, bem como com o fluxo de caixa da companhia.O Diretor de RI da Cemig disse que a produção do prospecto de renda fixa deve ser coordenada pela área de Relações com Investidores e os fatores de risco que são colocados nos papéis de renda variável. “No caso do prospecto de renda fixa as preocupações são um pouco diferentes. Os riscos são ponderados de uma forma diferente”, comentou.

Diego Barreto, chefe de Finanças Corporativas e Relações com Investidores da OAS e Diretor vice-presidente São Paulo do IBRI, apresentou o case da OAS, diferente da maioria das empresas, pois não há intenção da companhia de abrir capital e, mesmo assim, houve a necessidade de formar a área de Relações com Investidores para montar a operação de dívida da companhia. A equipe de RI também foi responsável por apoiar o crescimento da empresa. “A princípio não fazia sentido a empresa acessar o mercado de dívida nacional, mas assumimos o papel de desenvolver o mercado”, ressaltou.

Barreto acredita que o investidor só se torna credor da empresa com dívida de 15 anos no Brasil se confiar na área de RI e no seu histórico de transparência e atuação no mercado. “As pessoas entendem o fator de risco como uma fraqueza e isso é um erro crasso”, apontou ao contar que a empresa preparou um prospecto na emissão de debêntures e incluiu pontos como fatores de risco, pontos fortes e vantagens competitivas.

Relações com Investidores com sucesso

Ter boas habilidades para ouvir é uma das características apontadas por Jeffrey Morgan, presidente do NIRI (National Investor Relations Institute) para que os profissionais de Relações com Investidores obtenham resultados positivos em seu trabalho. Em sua terceira visita ao Brasil, o executivo destaca as competências que devem fazer parte de um departamento de RI. Dentre elas, estão pensamento estratégico, adaptação a mudanças de ambiente, estar ciente daquilo que não sabe e fortes habilidades de comunicação.

Embasado por pesquisas realizadas pelo NIRI e a Investor Relations Magazine, o executivo diz que um programa de RI de sucesso deve ter medições quantitativas e qualitativas. “Um estudo do NIRI aponta que os programas de RI são mais avaliados em quesitos como relacionamento com a comunidade financeira e o feedbackproveniente, encontros individuais com os acionistas, composição da base de acionistas e avaliação qualitativa da alta organização”, explicou.

A mesma pesquisa informa que no caso das mídias sociais os associados da entidade não avaliam se um programa de RI é bom por meio da atuação dos canais de mídias sociais. Outro ponto ressaltado por Morgan foi o estudo de práticas globais da IR Magazine.

Quando o assunto é targeting, os RI’s norte-americanos concordam que o tema é importante e aumenta o valor de viagens para roadshows e conferências com os investidores. No que diz respeito às mídias sociais, Morgan conta que 40% dos investidores institucionais lêem blogs financeiros. “As companhias não precisam fazer uso das mídias sociais, mas devem monitorá-las”, observa. “O sucesso de um programa de RI decorre do profissional, o programa em si e também como é administrado o tempo”, concluiu.

Expositores

No encerramento, Alfried Plöger, vice-presidente da ABRASCA, destacou a importância de se debater temas cotidianos dos profissionais, bem como as perspectivas do mercado e seus investidores. “É uma satisfação contar com a parceria do IBRI nesses 14 exitosos anos”, declarou. Junto com Luiz Spínola, vice-presidente da ABRASCA; Luiz Fernando Rolla, Presidente do Conselho do IBRI, Ricardo Florence, Diretor-Presidente do IBRI, agradeceu a presença de todos e chamou atenção para a contribuição do Encontro Nacional de RI para o mercado de capitais brasileiro.

“Pudemos trocar experiências com profissionais qualificados, bem como acompanhar os resultados de estudos realizados”, destacou Florence ao salientar as atividades promovidas pelo Encontro. Nos dois dias do evento, os participantes puderam, também, visitar estandes de expositores e conhecer as novidades de produtos e serviços direcionados ao mercado financeiro e profissionais de RI.

O 14º Encontro Nacional foi patrocinado pelas empresas: Apsis, Banco do Brasil; Banco Bradesco; Bloomberg; BM&FBOVESPA; BNDES, BNY Mellon; Cemig; Cetip; Chorus Call; CMA, CTEEP, Deloitte; Deutsche Bank, Ernst & Young Terco; Fipecadi, FIRB; GreenbergTraurig, Itaú Unibanco; J.P. Morgan; NYSE Euronext; Petrobras; Power Financial; PR Newswire; Ricca; RIWeb (Comunique-se); RR Donnelley (Bowne); Sabesp, Santander; SulAmérica; TheMediaGroup, VALE; Valor Econômico e Wittel.

Por Jennifer Almeida, Paula Craveiro e Rodney Vergili

Pesquisa IBRI-Deloitte indica tendência para integração de relatórios de companhias abertas

Levantamento realizado com 42 empresas de todo país sinaliza tendência de mudanças no modelo de reporte das informações

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A pesquisa “Qualidade das informações – transparência e integração nas divulgações das companhias abertas”, realizada pela Deloitte em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), entre os dias 18 de abril e 31 de maio deste ano, contou com a participação de 42 empresas de todo o país e mensurou o nível de transparência e a adoção de boas práticas dos profissionais de RI e agentes de mercado em geral. Os resultados da pesquisa foram apresentados hoje, 2 de julho, durante o 14o Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, em São Paulo

“O intuito da pesquisa foi analisar e apontar quais têm sido as tendências, as melhores práticas no mercado mundial e como as pessoas envolvidas na área de RI as compreende no Brasil. O padrão que se tem visto segue na direção de relatórios integrados, que permitem unir diversos aspectos – como informações numéricas, dados de sustentabilidade, riscos da empresa, governança corporativa, entre outros -, facilitando a compreensão daqueles que leem essas variadas informações e conferindo mais transparência e sofisticação aos dados prestados”, explicou Ricardo Florence, diretor presidente do IBRI.

Mais da metade (51%) dos profissionais responsáveis pelas áreas de RI afirmaram que os modelos dos relatórios corporativos precisam ser mais inovadores e integrados. Dessa mesma amostra, 31% responderam que as informações, embora suficientes, poderiam ser repassadas com mais qualidade. Já outros 15% apontam que o acesso precisa melhorar, enquanto apenas 5% dizem que elas são suficientes.

Em relação à qualidade da informação disponibilizada, ou seja, sua relevância e utilidade no apoio às decisões operacionais e de investimento, 67% apontaram os resultados do exercício como sendo a informação mais importante de um relatório, enquanto 62% indicaram o panorama estratégico da organização e 36%, a governança corporativa.

“Os profissionais de RI brasileiros já estão adotando as melhores práticas internacionais de disponibilização de informações, o que tornou a comunicação das empresas de capital aberto com seus investidores ainda mais transparente e confiável. Agora, todo o setor busca maneiras de aprimorar seus relatórios. Um relatório integrado adequado deve reunir qualidades como objetividade, tempestividade, relevância e proatividade”, ressaltou Florence.

A criação de relatórios integrados também foi abordada na pesquisa. Proposta mundialmente pelo International Integrated Reporting Commitee (IIRC), 95% dos entrevistados avaliaram o modelo como positivo. A maioria (58%) informou que o relatório anual emitido já é integrado, reunindo informações relevantes sobre estratégia, governança corporativa, desempenho e perspectiva da empresa. Outros 13%, apesar de não disponibilizarem o documento nesse formato, expressaram seu interesse em implantar o modelo integrado.

O levantamento indicou ainda que os relatórios de sustentabilidade já fazem parte da realidade das companhias. Sua publicação ou de balanços sociais é realizada por 62% das empresas e 17% afirmaram que pretendem emiti-lo; já 21% responderam que não o fazem. Dentre as empresas que publica esse relatório, 79% seguem o padrão Global Reporting Initiative (GRI) e 17% adotam o modelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).

“Os conceitos e princípios dos relatórios integrados auxiliarão em uma comunicação e interpretação mais efetivas dos direcionadores de valor da companhia. Diante disso, o Brasil já está preparado para contribuir para o processo de elaboração dos padrões dos relatórios integrados”, declarou Bruce Mescher, sócio-líder de Global IFRS and Offerings Services (GIOS) da Deloitte.
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Comunicação com stakeholders

A internet foi apontada como o meio mais utilizado e o mais eficiente entre as formas de comunicação dos RIs com o mercado. Os meios que apresentaram maior utilização pelas áreas de RI são: o site da companhia (64%), e-mails (62%), sites de notícias de mercado (29%) e redes sociais (26%).

Seguindo uma tendência mundial em relação à divulgação digital de informação, o relatório anual de 60% das empresas já pode ser visualizado nos formatos digital e impresso. Outros 37% das empresas pesquisadas utilizam unicamente o formato eletrônico e apenas 3% emitem o documento apenas no formato impresso. Das empresas participantes da amostra, 52% afirmaram ter custos superiores a R$ 500 mil por ano na produção de seus relatórios. Outras 26% investem até R$ 300 mil.

Ainda que a internet seja ferramenta relevante no processo de comunicação entre companhias e stakeholders, 87% dos respondentes informaram que realizam reuniões e eventos com analistas de investimentos, acionistas e investidores potenciais. Para 65%, o volume de reuniões e encontros não ultrapassa o total de 100 realizações por ano. Já 27% indicaram que realizam mais de 350 reuniões ao ano.

“O Brasil tem percorrido um caminho cada vez mais assertivo para a sofisticação destes relatórios. A adoção de normas internacionais de contabilidade (IFRS), a criação do Formulário de Referência e a ascensão dos relatórios de sustentabilidade são exemplos concretos de quanto o Brasil tem elevado o nível de transparência das companhias abertas nos últimos anos. Agora, estamos em um momento de reflexão a respeito de como ainda podemos melhorar a qualidade geral da informação”, concluiu Mescher.

Paula Craveiro
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Revista RI nº 165
Agosto/2012
Seção “IBRI Notícias”
Páginas 103 a 105

Por Paula Craveiro

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Revista RI 101

RevistaRI COBERTURA COMPLETA
8º ENCONTRO NACIONAL DE RI
Painéis debatem temas fundamentais para a consolidação do mercado

IBRI e ABRASCA promoveram a 8ª edição anual do Encontro Nacional de RI, que reunindo um público recorde de 620 participantes, debateu a atual situação dos profissionais de Relações com Investidores e o do mercado de capitais.

Por Rodney Vergili e Paula Craveiro

A matéria na íntegra pode ser acessada aqui.