NBR 6023/2018

Em 14 de novembro de 2018 foi lançada a mais recente versão da norma técnica para elaboração de referências bibliográficas – ABNT NBR 6023:2018.

As principais mudanças em relação à versão de 2002 foram:

  • Alteração para o novo leiaute.
  • Aumento no número de páginas: de 24 (2002) para 74 (2018), incluindo as páginas iniciais.
  • Inclui nas regras gerais de apresentação os documentos on-line e a informação sobre o registro do endereço eletrônico, precedido da expressão “Disponível em:”, e a data de acesso, precedida da expressão “Acesso em:”. Destaque para o fato de que os exemplos não incluem <> antes e depois do link para o material.
  • “6.5 Os elementos essenciais devem refletir os dados do documento referenciado. Informações acrescidas devem seguir o idioma do texto em elaboração e não do documento referenciado.”
  • Destaca que, ao optar pelo uso de elementos/informações complementares, estes devem ser incluídos em todas as referências do mesmo tipo de documento.
  • Apresenta no mínimo 2 exemplos com elementos essenciais e complementares para cada tipo de documento.
  • O modelo para trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso) encontra-se no item 7.1.2, junto com as monografias. Na versão 2002, estava no item 8.11.1, em Notas.
  • Inclui modelos de referências para:
    • correspondências (bilhetes, cartas, cartões, e-mails);
    • evento no todo em publicação periódica;
    • parte de evento em publicação periódica;
    • atos administrativos normativos (avisos, editais, estatutos, ofícios, pareceres, entre outros);
    • documentos civis e de cartórios.
  • Em eventos no todo, o título Anais é sucedido de três pontos entre colchetes (sem o destaque/recurso tipográfico): Anais […].
  • As redes sociais foram incluídas como documentos de acesso exclusivo em meio eletrônico.
  • Os audiolivros estão incluídos nos ‘Documentos sonoros no todo’ com a indicação de que “7.13.3 […] Para audiolivros, a indicação do autor do livro (se houver) deve preceder o título.”.
  • Alterações na indicação de responsabilidade:
    • Para quatro ou mais autores: “8.1.1.2 Quando houver quatro ou mais autores, convém indicar todos. Permite-se que se indique apenas o primeiro, seguido da expressão et al.”
    • Há exemplos para autores com nomes hispânicos, nomes compostos, com grau de parentesco e com sobrenomes com prefixos.
    • Há especificações para obras psicografadas e entrevistas.
    • “8.1.2 As obras de responsabilidade de pessoa jurídica (órgãos governamentais, empresas, associações, entre outros) têm entrada pela forma conhecida ou como se destaca no documento, por extenso ou abreviada. Convém que se padronizem os nomes para o mesmo autor, quando aparecem de formas diferentes em documentos distintos”.
    • Para pessoas jurídicas, há a previsão para o caso de estados e municípios homônimos (por exemplo: Rio de Janeiro (Estado) ou Rio de Janeiro (município)).
    • “8.1.2.3 Quando for uma instituição governamental da administração direta, seu nome deve ser precedido pelo nome do órgão superior ou pelo nome da jurisdição à qual pertence.”.
  • Em relação aos títulos e subtítulos:
    • “8.2.2 Em títulos e subtítulos longos, podem-se suprimir as últimas palavras, desde que não seja alterado o sentido. A supressão deve ser indicada por reticências entre colchetes”.
    • “8.2.6 O título da publicação periódica pode ser transcrito na forma abreviada, desde que conste na publicação”.
  • Local:
    • “8.4 O local de publicação (cidade) deve ser indicado como consta no documento. Na ausência do nome da cidade, pode ser indicado o estado ou o país, desde que conste no documento.”
    • “8.4.4 Utiliza-se a expressão sine loco, abreviada, entre colchetes [s. l.], caso não seja possível identificar o local de publicação. O s de sine deve ser grafado em letra maiúscula quando for o primeiro elemento dos dados de publicação.” Aplica-se no caso de indicação de local para monografias, nos demais casos (como em periódicos) mantém a indicação em letras minúsculas.
  • Em relação à indicação de editora:
    • “8.5 O nome da editora, da gravadora, entre outras instituições responsáveis pela publicação, deve ser indicado como aparece no documento, suprimindo-se as palavras que designam a natureza jurídica ou comercial.” Veja o exemplo: DAGHLIAN, Jacob. Lógica e álgebra de Boole. 4. ed. São Paulo: Editora Atlas, 1995. NOTA na publicação: Editora Atlas S.A.
    • “8.5.1 Para editora comercial homônima a uma instituição, deve-se indicar a palavra editora ou a abreviatura, como consta no documento.”
    • “8.5.3 Quando houver duas editoras com o mesmo local, indicam-se ambas, separadas por dois pontos.”
    • “8.5.4 Quando a editora for também autor (pessoa jurídica), pode-se adotar, no campo editora, a forma abreviada (ou sigla), desde que esta conste no documento.”
  • Em relação a data a principal alteração foi a seguinte: “8.6.1.2 Deve ser indicado o ano equivalente do calendário gregoriano, separado por sinal de igualdade, no caso de data oriunda de outros sistemas de calendários, como o judaico, o bahai, o nepalês, entre outros.”
  • Há detalhamento da descrição física para documentos/materiais impressos e em meio eletrônico. Destaque para as redes sociais: “8.7.3 […] Para redes sociais, especificar o nome da rede e o perfil ou página acessados, separados por dois pontos.”
  • Foi acrescido um anexo com as abreviaturas utilizadas, como editor, coordenador, organizador entre outros.
  • O índice remissivo foi ampliado e está mais detalhado.

Ficou com alguma dúvida sobre as alterações? Precisa de ajuda com sua monografia, tese ou trabalho de conclusão de curso? Então entre em contato comigo: www.fb.com/paulacraveiro

Pedi e dar-se-vos-á

Para se manter em atividade, organizações sociais precisam melhorar e ampliar suas formas de captação de recursos

 

Para que uma organização da sociedade civil tenha condições de se manter e dar continuidade aos seus projetos, não basta apenas boa vontade para levar sua missão adiante, ainda que isso seja muito importante; é imprescindível dispor de recursos, sejam eles materiais, humanos, financeiros e/ou tecnológicos. No entanto, muitas ONGs, em especial as de menor porte e aquelas em início de atividade, nem sempre têm acesso ou sabem como alcançar esses recursos – principalmente quando o recurso em questão é dinheiro.

O ato de “pedir” nem sempre é uma tarefa fácil, mas é de grande relevância que isso seja feito. Embora este texto não tenha nenhuma intenção de pender para o âmbito religioso, há uma passagem bíblica que tem tudo a ver com o tema que estamos tratando aqui: pedi e dar-se-vos-á [1]. É justamente isso que deve ser feito por sua organização: para receber o que se quer, seja recurso, seja mão de obra, é preciso pedir. Sem esse pedido de ajuda, infelizmente, sua ONG corre sérios riscos de não ir para frente.

“Toda organização social precisa de recursos para se manter. Com exceção dos institutos corporativos e das fundações familiares, que já nascem com orçamento garantido, as organizações necessitam criar estratégias específicas para conquistar recursos, para que ela seja capaz de cumprir sua missão e ter impacto positivo e real na sociedade”, adverte João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR).

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A captação de recursos é uma competência estratégica, fundamental para a sustentabilidade financeira das ONGs. – João Paulo Vergueiro

 

Entendendo o que é captação de recursos

A captação de recursos é uma ação planejada, desenvolvida pela organização para pedir as contribuições de que ela precisa, com o objetivo de garantir sua sustentabilidade. Esses recursos podem ser solicitados a indivíduos, empresas, governos, fundações etc.

“Trata-se de uma competência estratégica, fundamental para a sustentabilidade financeira das ONGs, e, pelo menos em tese, não deveria haver uma única organização sem um plano de captação e ao menos um profissional responsável por priorizar o assunto. Para a elaboração de um plano de captação, é importante contar com o respaldo de pessoas que compreendam a importância desse trabalho para obter os recursos necessários para que as ações da organização sejam efetivamente transformadoras e cumpram integralmente a sua missão”, ressalta Vergueiro.

No entanto, o termo captação de recursos não é de uso exclusivo do Terceiro Setor. Outros entes também podem recorrer a essa atividade, como produtoras culturais, que captam recursos para seus projetos (patrocínios); políticos, que levantam fundos para suas campanhas eleitorais; ou empresas, que demandam recursos financeiros para se alavancar (empréstimos). “A grande diferença é que somente as organizações da sociedade civil têm na captação de recursos a sua principal estratégia para se manter financeiramente, fazendo disso algo permanente, e especializando-se em pedir doações dos indivíduos, empresas e quem mais acreditar no trabalho que elas realizam”, conclui o diretor-executivo da ABCR.

Diversificação das fontes

Nos últimos anos, em especial na última década, o Terceiro Setor brasileiro tem enfrentado uma série de mudanças em sua forma de atuação. Por conta do atual cenário político e econômico, que tem feito as pessoas (físicas e jurídicas) repensarem sua maneira de lidar com o dinheiro, muitas ONGs têm buscado alternativas para captar recursos. Hoje, em razão da escassez de recursos, as organizações sociais precisam disputar doadores não apenas com outras entidades semelhantes, como também recorrer a novas maneiras de captar fundos para se manter. Os pedidos “boca a boca” e as doações esporádicas já não são mais suficientes.

Para Danilo Tiisel, advogado especialista em legislação do Terceiro Setor, captar recursos constitui um processo que não deve ser compreendido como sinônimo de “pedir dinheiro”. “A captação consiste em um processo organizado e muito amplo, que demanda um plano de ação estratégico. Ele não se restringe ao ato de pedir alguma coisa; é preciso, acima de tudo, que quem pede saiba falar sobre a causa, de modo a tornar possível a mobilização de pessoas e de recursos em torno dela. É nesse momento que se começa a captar e a fidelizar os doadores. Toda a organização deve estar preparada para isso”, explica o advogado.

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Não basta apenas pedir por um recurso; é preciso tornar possível a mobilização de pessoas e de recursos, de todos os tipos, em torno dela. – Danilo Tiisel

Tão importante quanto captar recursos, é também buscar a diversificação das fontes. “Se as organizações sociais ficarem dependentes de um número restrito de fontes, sua sustentabilidade passa a correr um enorme risco, pois, se uma delas, por algum motivo, decidir não colaborar mais, a ONG pode entrar em colapso e fechar as portas. Infelizmente, esse cenário não é tão incomum no Terceiro Setor”, ressalta Karina Isoton, especialista em Negociações Internacionais e responsável pela captação de recursos da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) no Rio Grande do Sul.

Karina explica que existem cinco fontes para a captação de recursos:

  • Pessoas físicas: são as pessoas que fazem doações esporádicas, conforme sua disponibilidade de recursos, ou que costumam ajudar com carnês mensais ou participação em eventos beneficentes, por exemplo.
  • Empresas e institutos empresariais: organizações sem fins lucrativos criadas e mantidas por empresas.
  • Fundações: organizações nacionais ou internacionais, que atuam focadas em uma causa, e auxiliam outras ONGs por meio de patrocínio ou repasse de recursos.
  • Fontes institucionais: governos, agências, organizações religiosas ou laicas, de origem nacional ou internacional.
  • Geração de renda própria: é a comercialização de produtos e de serviços, realização de eventos, fundos patrimoniais e marketing relacionado à causa.
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Se as organizações sociais ficarem dependentes de um número restrito de fontes, sua sustentabilidade passa a correr um enorme risco! – Karina Isoton

Nathália Simões, mobilizadora de recursos e especialista em Comunicação Interna para Públicos Estratégicos e em Gestão Empreendedora em Marketing Digital, reforça que os captadores lidam diariamente com o desafio de manter sua organização social em pleno funcionamento e sem “sustos”. “Para garantir o bom funcionamento da ONG e garantir os recursos necessários, é preciso injetar criatividade e diversificar as formas de captação, de modo que, a cada ameaça ou oportunidade externa, existam soluções para a organização se manter sustentável”.

A especialista adverte, ainda, que é preciso “desmistificar a ideia de que não vale a pena investir esforços em algo que, a princípio, não gerará recursos de grande expressão financeira, e que o foco deve estar apenas em projetos grandes e complexos”. Para ela, é essencial experimentar mais formas de aproveitar e potencializar os recursos que as organizações já possuem, criando alternativas que geram retorno financeiro e de reputação.

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É preciso injetar criatividade e diversificar as formas de captação, de modo que a cada ameaça ou oportunidade externa, existam soluções para a organização se manter sustentável. – Nathália Simões

Fidelização de doadores

Um erro muito comum cometido pelas organizações sociais é o descuido em relação ao doador. Não por descaso ou desinteresse, obviamente, mas muitas ONGs acabam deixando esses financiadores de lado, enquanto investem os recursos recebidos em seus projetos.

“Conseguir conquistar e fidelizar parceiros, doadores e voluntários que possam colaborar com a causa defendida por sua organização demonstra profissionalismo na gestão e evita problemas futuros de captação”, garante Marcio Zeppelini, presidente do Instituto Filantropia e palestrante especialista em sustentabilidade.

Segundo Zeppelini, é essencial buscar a fidelização desses doadores, sejam eles pessoas físicas ou empresas. “É de extrema importância a criação de vínculos duradouros com os doadores, pois isso garantirá sua contribuição de forma perene, evitando complicações financeiras para a ONG no futuro. Esse processo de fidelização deve ocorrer, principalmente, por meio de uma comunicação efetiva e periódica, transparente, que preste contas das atividades realizadas e dos custos envolvidos, que dê notícias sobre todas as ações realizadas, deixando o colaborador sempre informado e, ao mesmo tempo, com o sentimento de que ele fez parte daquela transformação”.

Comunicação, relacionamento e transparência, para o presidente do Instituto, são três pontos de grande valia para quem deseja ter sempre por perto pessoas e empresas dispostas a ajudar na manutenção da causa.

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Conquistar e fidelizar doadores que possam colaborar com a causa defendida por sua organização demonstra profissionalismo na gestão e evita problemas futuros de captação. – Marcio Zeppelini

Gestão qualificada do Terceiro Setor

Nos últimos anos, o Terceiro Setor brasileiro passou por um significativo processo de crescimento. Segundo dados do Perfil das Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil), estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, no país, havia 290,7 mil entidades. Entre 2006, o total era de 267,3 mil organizações.

Embora positiva para o setor, essa expansão foi responsável pelo aumento da demanda e, consequentemente, da concorrência por recursos. Assim, mais do que buscá-los, tornou-se imperativa a implantação de uma gestão mais qualificada e profissional.

Gestão estratégica

Para garantir a perpetuidade de suas ações, muitas entidades têm discutido a necessidade de profissionalização do setor. Para isso, elas têm revisado suas formas de administração, passando a adotar modelos de gestão mais profissionais e sofisticados, semelhantes aos empregados no mundo corporativo.

“A necessidade de serem produtivas e eficientes, a fim de competirem na captação de recursos dos doadores, tem obrigado as ONGs a trilhar o caminho da profissionalização e da qualificação de sua mão de obra”, afirma Hélio Ponce Cunha, mestre em Gestão Integrada de Organizações e especialista em Gestão Empresarial.

Cada vez mais, as ONGs estão incorporando ações até então restritas às instituições lucrativas, como as empresas. “A utilização de princípios de gestão estratégica e a aplicação de métodos e instrumentos de gestão baseados na eficácia, no alcance de resultados, na prospecção de cenários e na atuação proativa frente às variáveis do ambiente externo fazem-se necessárias em todas as organizações que atuam em um ambiente altamente mutável e com um número grande de variáveis”, pontua Cunha.

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Hélio Ponce Cunha afirma que ONGs têm sido obrigadas a se profissionalizar e qualificar suas mãos de obra para serem mais produtivas e eficientes.

Ferramentas para o sucesso

A crescente demanda pela gestão profissional do setor acabou por gerar uma consciência no sentido de essas organizações demonstrarem, inclusive, resultados, com o objetivo de evidenciar a credibilidade de seu trabalho, estabelecendo relações sólidas de parceria, conquistando sua autossustentabilidade e o desenvolvimento contínuo de seu projeto social.

Pensando nisso, muitas ONGs estão adotando processos como a gestão por competência, que enfoca os conceitos básicos de conhecimento (pensar), habilidades (fazer) e atitude das pessoas (ser). “A Gestão por Competências é um sistema desenvolvido para identificar e administrar perfis que proporcionem resultados positivos para uma organização social e maior satisfação para quem realiza trabalho voluntário. É uma alternativa aos modelos gerenciais tradicionais. Sua proposta é concentrar esforços no planejamento, na captação, no desenvolvimento e na avaliação das competências necessárias para que a entidade consiga alcançar seus objetivos e, assim, somar competências individuais para a formação de um grupo equilibrado e harmonioso”, comenta Silvia Naccache, coordenadora do Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP).

Além desse método, muitas organizações também estão adotando a gestão para resultados, que é uma ferramenta administrativa que alinha planejamento, ação e controle com vistas à eficiência; a análise de cenários; a definição de metas e o monitoramento de desempenho; entre outros.

Silvia Naccache

Segundo Silvia Naccache, a Gestão por Competências tem foco no planejamento, na captação, no desenvolvimento e na avaliação de competências.

Gestão de pessoas

A expansão experimentada pelo setor social apresentou-se como excelente oportunidade para aqueles que desejavam ingressar no mercado de trabalho, aliando competências profissionais à boa vontade e à disposição para fazer a diferença. Para que o setor continuasse a crescer e a apresentar bons resulta­dos, as organizações sociais compreenderam que não bastava somente o desejo de “mudar o mundo”, mas, sim, que era imprescindível a adoção de uma postura mais madura e comprometida por parte tanto das próprias entidades quanto de seus profissionais e voluntários.

“Diante desse cenário, as ONGs precisaram rever suas práticas de gestão e agir de maneira muito semelhante ao ambiente corporativo. Para isso, foi necessária a implementação de processos e de práticas até então desconhecidas da maioria das entidades, mas que fossem capazes de gerar resultados mensuráveis”, conta Heloisa Coelho, diretora executiva do Riovoluntário e diretora de Cidadania e Voluntariado da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

Heloisa Coelho 2

Segundo Heloísa Coelho, as ONGs precisam rever suas práticas de gestão e agir de maneira semelhante ao ambiente corporativo.

Próximos passos

Para os próximos anos, um dos principais desafios que preci­sam ser enfrentados pelo Terceiro Setor é a seleção de mão de obra qualificada e compatível às suas necessidades reais.

“Apesar das peculiaridades do setor em relação ao mercado for­mal de trabalho, é necessário que a entidade conte com o apoio de um departamento responsável pelo pro­cesso de seleção e de contratação de profissionais. O problema é que, ainda hoje, são poucas as ONGs que têm uma gestão organi­zacional que dê conta dos processos que envolvem a área de Recur­sos Humanos”, pontua Esismai Medeiros Oliveira, especialista em Gestão de Pessoas e coordenadora de projetos de desenvolvimento local no Instituto Rukha.

A cada ano, o setor passa a lidar com uma diversidade maior de profissionais. “No entanto, a dificuldade não está somente em selecionar o perfil adequado para a instituição, mas também em garantir, por exemplo, uma definição de cargos e salários, direito às leis trabalhistas (CLT) e oferecer planos de carreira, principal­mente aos estagiários”, afirma.

Para alcançar a excelência exigida e se fortalecerem, muitas organizações precisarão definir, de forma clara, a sua política de recursos humanos, fazendo uma reestruturação em seu quadro funcional e dando início à profissionalização no Terceiro Setor.

Descaso com a saúde em São Paulo

Como um transplantado, dependente de medicamentos para evitar a rejeição do órgão recebido, pode explicar para o seu organismo que, excepcionalmente, ele não receberá o remédio necessário naquela semana? “Aguenta aí só uns cinco dias. Depois eu volto a te dar o medicamento. O que são 5, 10, 15 dias na vida de alguém, não é, rim?

O corpo não tem essa compreensão; os órgãos não podem esperar pacientemente enquanto a logística do SUS/Ministério da Saúde se reorganiza e deixa as farmácias dos postos de alto custo sem o estoque necessário para atender às necessidades dos pacientes cadastrados para o recebimento dos medicamentos.

Para os receptores e para sua família, esse é o tipo de situação que não tem o menor cabimento! Depois de enfrentar anos de tratamento, hemodiálise… e, enfim, conseguir um órgão, não tem nada no mundo que justifique a perda dele por causa de erro de logística! O Ministério da Saúde não pode tratar o ser humano como tanto descaso!

Desde o final de setembro – até onde fui informada, mas é possível que esse problema já venha de antes – estão faltando medicamentos essenciais para os pacientes transplantados, como Myfortic 360 mg e Tacrolimo 1 mg. Em contato com a Novartis, laboratório responsável pela fabricação do Myfortic, fui informada de que sua fabricação e distribuição (para governo e farmácias) estão ocorrendo normalmente. Ou seja, a não reposição de estoques não é falha do laboratório. Já em contato com o Ministério da Saúde, por meio de seu perfil no Twitter, recebi a informação de que “o medicamento [Myfortic 360 mg] é adquirido de forma centralizada pelo Ministério da Saúde. No momento [dia 11/10] estão em andamento os processos de distribuição em âmbito estadual e a previsão de abastecimento das Farmácias de Medicamento Especializados [postos de alto custo] é até 14/10/2016”.

Excelente saber que até amanhã, dia 14 de outubro, os medicamentos estarão nas farmácias. Excelente mesmo! Mas o problema causado por esse descaso com a logística pode custar a vida ou, pelo menos, o órgão recebido por muitas pessoas em todo o Estado de São Paulo. Aparentemente, pelo que notei em conversas em grupos de transplantados no Facebook, o problema é restrito a São Paulo. Como pode o estado mais importante (pelo menos em termos econômicos) do País ter esse tipo de problema? Não tem gente qualificada para cuidar da logística dos medicamentos? Ou o problema é desvio de recursos, incompetência…?

Pinacoteca de São Paulo apresenta exposição com obras da Coleção Roger Wright

A Pinacoteca de São Paulo recebe a partir do dia 27 de agosto a exposição Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, composta por 50 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 no Brasil pelos artistas mais representativos do período, como Wesley Duke Lee, Claudio Tozzi, Antonio Dias, Cildo Meireles, Nelson Leirner, Raymundo Colares, Rubens Gerchman, Carlos Zilio, entre outros.

A mostra celebra o comodato de 178 obras estabelecido em março de 2015 entre a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a Pinacoteca e a Associação Cultural Goivos, responsável pela Coleção Roger Wright. Também dá continuidade à narrativa iniciada com a exposição Arte no Brasil: Uma história na Pinacoteca de São Paulo, em cartaz no segundo andar até o dia 12 de setembro de 2016 e que apresenta os desdobramentos da história da arte no Brasil do período colonial aos primeiros anos do modernismo em 1920.

SERVIÇO
Exposição Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright 
De: 27/08/2016 a 27/08/2019
Horário: quartas a segundas-feiras, das 10h às 17h30
Ingresso: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia entrada). Crianças até 10 anos e adultos com mais de 60 não pagam. Aos sábados, a entrada é gratuita a todos os visitantes.
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo
Endereço: Praça da Luz, 02
Informações: (11) 3324 1000

01Inserções em circuitos Ideológico – 1970 – Cildo Meireles
02
Relevo Espacial – Helio Oiticica
04
Trapézio ou uma Confissão – Wesley Duke Lee
03Caubói – 1976 – Geraldo de Barros

 

Exposição IN{nós}, do artista plástico Vinicius Parisi, abre ao público em 26 de agosto, em São Paulo

Entre os dias 26 de agosto e 26 de setembro, a Luis Maluf art gallery receberá a Exposição IN{nós}, do artista plástico paulistano Vinicius Parisi.

Para a mostra, Parisi usa a figura da mulher como meio para fruição, sugerindo ao público, por meio de suas pinturas, uma imersão ao universo interior que existe em cada um.

Em seu processo criativo, o resultado final é conseguido por meio de cortes, recortes, desenhos e intervenções digitais sobre uma imagem real, antes da sua execução final sobre o suporte (madeira). Suas ações recriam mulheres idealizadas e originadas de seu repertório imagético. Desta forma, elas saem do real para ocupar um lugar no imaginário coletivo e, ainda que suas personagens sejam fictícias deste ponto de vista, são verdadeiras pela perspectiva existencial e poética.

Sobre Vinicius Parisi – Artista plástico paulistano, graduado em Design de Produto. Iniciou seus trabalhos artísticos com pinturas em pranchas de surf, motivado pela afinidade com o esporte. Posteriormente, projetou-se no mercado a partir de exposições coletivas itinerantes em algumas faculdades de São Paulo. Em 2013, ingressou no mercado de moda, desenvolvendo ilustrações assinadas para uma conceituada marca internacional de surfwear. Atualmente, vem direcionando suas criações em quadros de madeira com uma linguagem contemporânea, interligando elementos geométricos ao figurativo, por meio de sobreposições translúcidas, utilizando técnicas mistas. Também está à frente do Estúdio 50, com a arquiteta Pedrinha Parisi.

Serviço
Exposição IN{nós}, de Vinicius Parisi
Curadoria de Francisco Rosa
Data: 26 de agosto a 26 de setembro de 2016
Horário: das 11h às 20h
Local: Luis Maluf art gallery
Endereço: Rua Peixoto Gomide, 1887 – Jardins – São Paulo/SP

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