Tecnologia: a grande aliada da educação

Por Paula Craveiro

.

Como as TICs podem agregar valor ao processo educacional e contribuir para o ensino em sala de aula?
.

Atualmente, os conceitos de informação e comunicação podem ser compreendidos como sinônimos de poder. Ter a capacidade de comunicar-se significa poder interagir e obter novos dados, novas informações.

O computador é, sem dúvida, um meio essencial e privilegiado para acessar, trocar e disponibilizar informação, reunindo todas as condições do multimídia, para as quais o tempo e a distância deixam de ter significado, uma vez que a transmissão de dados ocorre de maneira praticamente simultânea.

Além da ampla capacidade de comunicação, as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) revelam-se igualmente essenciais no tratamento e organização da informação, pela integração de ferramentas relativas ao processamento e tratamento de texto, organização de dados, construção de tabelas, esquemas e desenhos, resolução de cálculos e construção de simulações.

Hoje, sua presença é indispensável em qualquer atividade. A possibilidade de integração, convivência e cooperação de diferentes meios de comunicação em um único sistema abre espaço a inúmeras aplicações que certamente modificarão consideravelmente o comportamento das pessoas, tanto no âmbito profissional quanto pessoal e social.

.

As TICs na escola

Hoje, a iniciação às TICs inicia-se bem cedo. Em ambiente escolar, por ainda não serem letradas, os primeiros contatos das crianças com a tecnologia acontecem de maneira mais leve e divertida: com o auxílio dos professores, elas aprendem a manusear o mouse, a abrir e fechar programas, fazer desenhos no PaintBrush, além de participar de jogos interativos.

Para os alunos um pouco maiores, um computador conectado à internet abre um imenso leque de possibilidades a serem exploradas em sala de aula. Por meio de jogos on-line, citando apenas um exemplo, estudantes e professores podem debater temas relacionados à Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática, Geografia, Raciocínio Lógico, entre outros.

“O computador é um grande aliado no processo ensino-aprendizagem, uma vez que auxilia no desenvolvimento da capacidade de aprender e personaliza a transmissão de conhecimentos no processo de aprendizado contínuo”, afirma a professora e pedagoga Bernardeth Sampaio, de São Paulo (SP).

Segundo Bernardeth, o emprego da tecnologia no processo educacional por meio da utilização de softwares educativos é uma das áreas da informática na educação que ganhou mais terreno ultimamente. “Isto se deve principalmente à criação de ambientes de ensino e aprendizagem individualizados, somada às vantagens que os jogos trazem consigo, que incluem entusiasmo, concentração e motivação.”

.

“Tecnologia na educação não significa aprender sobre computadores e seus recursos. Significa aprender com o apoio do computador; saber explorar as potencialidades do computador e saber criar ambientes que enfatizem a aprendizagem.” (Vera Lúcia Camara Zacharias, Consultora e Diretora do Centro de Referência Educacional)

.

Na prática

Recentemente, a Escola Luciana de Abreu, de Porto Alegre (RS), por meio do projeto Um Computador Por Aluno, passou a adotar a tecnologia em suas atividades.

Segundo Iron Rodrigues, diretor da instituição, até pouco tempo a escola sequer possuía uma sala de informática. Entretanto, com a incorporação das TICs, tanto alunos quanto professores e gestores escolares saíram ganhando. “É muito interessante ver as crianças realizando seus projetos e participando mais ativamente das aulas. É fato que não se trata de um processo simples. Num primeiro momento, alguns professores podem ser bastante resistentes, mas garanto que vale muito a pena.”

O diretor ressalta ainda que não basta garantir os equipamentos para melhorar a aprendizagem. “Com os computadores à disposição, cabe ao educador trabalhar com projetos, incentivando sempre seus alunos a serem autores dos trabalhos, a pesquisar, buscar novos conteúdos”, pontua.

Outro exemplo vem da Escola Hellen Keller, de Caxias do Sul (RS). Em meados dos anos 1990, quando ainda nem se falava em internet, a escola implementou um programa de novas mídias. “Instalamos uma antena de radioamador que permitia que nossos estudantes surdos pudessem trocar mensagens em tempo real usando computadores”, explica a professora Mônica Duso.

Conforme conta Mônica, que está envolvida no projeto desde sua implantação, a iniciativa gerou resultados bastante positivos. “A alfabetização em Língua Portuguesa é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos portadores de deficiência auditiva. Contudo, ao trocar as mensagens, os alunos tiveram a oportunidade de aprimorar a escrita de maneira eficiente”, destaca. A professora afirma ainda que todos os alunos daquela época atualmente estão na universidade e escrevem com perfeição.

.

Professor 2.0

Além de gerar modificações no dia-a-dia dos alunos, a utilização de novas tecnologias traz ainda uma série de mudanças de comportamento em relação ao professor. Com facilidade para interagir com computadores, redes sociais, entre outras ferramentas, a nova geração de estudantes passou a exigir que o professor tivesse a mesma habilidade. As razões são óbvias, conforme comenta Linda Harasim, Professora da Universidade Simon Fraser, de Vancouver, no Canadá. “Em um mundo onde todos recorrem à rapidez do computador, nenhuma criança ou jovem tem paciência para ouvir horas de explicações transcritas em uma lousa. Sendo a tecnologia parte do cotidiano de todos os jovens, estes esperam que o professor se utilize disso em sala de aula. Cabe a esse profissional guiar o processo de aprendizagem”, afirma.

O “xis” da questão está, justamente, em saber adaptar a tecnologia ao conteúdo pedagógico. É consenso entre os especialistas que não basta apenas investir em laboratórios modernos e salas multimídia. Sem uma mudança efetiva na metodologia, as novas ferramentas serão subutilizadas. “Estamos em 2011 e nosso modelo educacional ainda reflete a prática dos séculos 19 e 20. A internet ainda costuma ser usada como um tampa-buraco ou enfeite nas salas de aula tradicionais”, acrescenta Harasim.

Para a pedagoga Sílvia Fichmann, Coordenadora do Laboratório de Investigação de Novos Cenários de Aprendizagem na Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP), um dos motivos pelos quais os professores ainda resistem em utilizar a tecnologia é o receio de perder o posto de detentor de conhecimento. “A internet rompeu com uma série de paradigmas. Hoje, o professor tem de se conscientizar de que não sabe tudo e precisa ser muito mais parceiro do aluno na busca pelo saber”, diz.

Segundo a pedagoga, não é fácil lidar com as novas ferramentas, mas cabe ao educador coordenar e orientar as tarefas. “O problema é que existem três tipos de professor: os que preferem o método tradicional, aqueles que não sabem utilizar a tecnologia e, finalmente, os que se adaptaram ao novo contexto. Eles convivem em uma mesma sala de aula, o que impede a adoção completa da tecnologia”, completa.

.

Pesquisa

No mês de março deste ano, o Oi Futuro, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Instituto Paulo Montenegro e Ibope Inteligência, apresentou o resultado de um levantamento realizado entre maio e junho de 2010 sobre o relacionamento da comunidade escolar com as novas tecnologias.

A pesquisa “Interação com as Tecnologias de Informação e Comunicação na Comunidade Escolar” entrevistou 32 mil pessoas, entre diretores, professores e alunos da rede pública municipal do Rio de Janeiro.

De acordo com o estudo, mais de 70% dos entrevistados concordam que, quando há uso de tecnologias em sala de aula, o aluno se interessa mais em aprender. Outra constatação foi que a tecnologia aplicada à educação mudará não apenas o papel da escola num futuro próximo como também alterará o papel do professor em relação aos alunos (65%).

Mais de 80% dos participantes acreditam que a tecnologia pode contribuir muito com o processo de aprendizagem e, consequentemente, consideram-na necessária para um bom desenvolvimento da educação.

O levantamento comprova ainda que a mudança de mentalidade da comunidade escolar em relação às novas tecnologias já é uma realidade e que se papel é cada vez mais significativo na qualificação da educação.

.

Revista Informativa Educacional 15 – páginas 30 a 33 – ano 2011
[Download: capapg. 30pg. 31pg. 32 + pg. 33]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s